No primeiro aniversário da morte de Jorge Nuno Pinto da Costa, o FC Porto procurava uma campanha capaz de transformar uma homenagem institucional num momento de comunicação profundamente emocional, contemporâneo e visualmente memorável. O desafio não era apenas lançar uma edição limitada de 2.594 camisolas, mas criar uma narrativa audiovisual à altura de um legado irrepetível: 42 anos de presidência, 2.594 títulos e uma marca indelével na história do clube. A campanha tinha de escapar ao tom documental ou nostálgico e encontrar uma expressão mais sensorial, cinematográfica e simbólica. O objetivo era construir uma peça onde memória, fé, pertença e transcendência se cruzassem numa linguagem publicitária distinta, com forte dimensão estética e cultural. Para isso, a campanha foi pensada a partir de uma combinação entre captação real — filme e fotografia produzidos especificamente para o projeto — e reinterpretação visual com recurso a inteligência artificial, explorando a evocação de personagens e atmosferas assentes em referências reais. A ambição era clara: não explicar a homenagem, mas fazê-la sentir.
A peça desenvolveu-se como uma campanha audiovisual e editorial construída a partir de uma base híbrida: imagens filmadas, sessões fotográficas dirigidas para o projeto e um tratamento visual que integrou inteligência artificial como extensão da direção de arte. Em vez de usar a tecnologia como efeito decorativo, a campanha utilizou-a para prolongar a carga emocional das imagens e expandir a narrativa para um território mais onírico, simbólico e quase espiritual. A matéria-prima foi real: corpos, gestos, luz, presença, textura e proximidade. Sobre essa base, a linguagem visual foi trabalhada para gerar uma sensação de encontro entre passado e presente, entre ausência e permanência, entre documento e memória. A camisola surge não como simples produto, mas como objeto de culto, relíquia contemporânea e símbolo de comunhão coletiva. O resultado é uma campanha onde o craft da direção de arte vive precisamente nessa tensão entre o captado e o recriado, entre o registo físico e a ampliação poética da imagem. Em vez de descrever a homenagem, a peça encena-a visualmente e transforma-a numa experiência sensorial de tributo, continuidade e identidade.
A campanha traduziu a sua ambição de craft em impacto real desde o momento do lançamento, a 13 de fevereiro de 2026. As 2.594 camisolas esgotaram em cerca de duas horas, com 92% das vendas concentradas nesse período e €199.605 faturados na primeira hora. A resposta da comunidade foi expressiva, com forte adesão imediata, confirmando a capacidade da peça em transformar uma homenagem simbólica num gesto de pertença.
O impacto prolongou-se na esfera mediática. A campanha gerou 150 publicações totais, das quais 131 em earned media, alcançando 10,89 milhões de impressões totais, incluindo 4,69 milhões de impressões em earned media. O sentimento foi maioritariamente positivo (93,5%), sem registo de cobertura negativa. A intensidade da cobertura na semana de lançamento demonstra que a peça ultrapassou o território promocional e entrou no espaço da cultura, da emoção e da notícia. A venda para mais de 16 países reforçou o alcance internacional e a capacidade de mobilização da diáspora portista.
A experiência digital associada à camisola prolongou a vida da campanha para além do momento de compra. Até 10 de março, registaram-se 2.143 interações NFC, com uma taxa de interação de 61,3% e um rácio médio de 1,94 interações por utilizador. Cerca de 45% das peças ativadas foram utilizadas mais do que uma vez, evidenciando revisitação e envolvimento continuado.
No conjunto, os resultados demonstram que o rigor de execução, do detalhe físico à linguagem visual e sonora, não só elevou a perceção da peça, como contribuiu diretamente para a sua adesão, amplificação e permanência no tempo.
Data de início de veiculação do trabalho
2026-05-19T05:03:45-04:00