No primeiro aniversário da morte de Jorge Nuno Pinto da Costa, o FC Porto enfrentava um desafio raro: prestar homenagem a uma figura maior do desporto português e aos 2.594 títulos conquistados durante os seus 42 anos de presidência sem reduzir esse legado a uma simples peça comemorativa. O objetivo era criar uma camisola com valor simbólico, emocional e colecionável, mas também garantir que essa homenagem não se esgotava no objeto físico. A ambição passava por prolongar a experiência no digital, transformando a camisola num ponto de entrada para uma narrativa mais vasta de memória, pertença e continuidade.
A estratégia digital nasceu precisamente dessa necessidade: fazer convergir conteúdo, campanha e tecnologia numa mesma história. O editorial de moda e a campanha digital tinham de construir desejo, densidade cultural e relevância visual em torno da peça, afastando-a do território habitual do merchandising desportivo e aproximando-a de um objeto de culto e de memória. Por sua vez, a integração de NFC permitia individualizar a relação entre adepto e camisola, revelando o troféu específico associado a cada exemplar e prolongando a experiência para lá do momento de compra. A oportunidade identificada não estava apenas na utilização da tecnologia, mas na criação de um ecossistema digital coerente, onde campanha, conteúdo editorial e experiência interativa convergissem para amplificar o valor simbólico da camisola e transformar cada unidade num arquivo vivo de história e num novo canal direto entre clube e comunidade.
Através de uma etiqueta NFC incorporada na peça, bastava aproximar o smartphone para aceder a uma experiência digital associada àquele exemplar específico. Cada unidade revelava o troféu que representava, identificando modalidade, época, competição e contexto, convertendo a camisola numa peça singular dentro da coleção. A lógica era simples mas poderosa: uma camisola, um troféu. Esta individualização reforçava o valor emocional e colecionável da edição, ao mesmo tempo que criava uma nova forma de relação entre adepto, objeto e história do clube.
A experiência foi desenhada para prolongar o gesto de descoberta para lá da compra e da abertura da embalagem. O NFC ativava uma narrativa digital de revelação, pertença e partilha, permitindo ao adepto compreender o significado exato da sua camisola e situá-la dentro do legado de 2.594 títulos conquistados durante a presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa. Em vez de uma leitura genérica do projeto, cada utilizador entrava por uma porta própria, através do troféu que lhe calhara. Isso dava escala íntima a uma homenagem de dimensão histórica.
A estratégia digital construiu um ecossistema contínuo, onde campanha, conteúdo e experiência trabalharam de forma integrada para prolongar o significado da peça no tempo.
O lançamento gerou um pico imediato de atenção e conversão, com as 2.594 camisolas a esgotarem em cerca de duas horas, 92% das vendas concentradas nesse período e €199.605 gerados na primeira hora. Este arranque foi amplificado por uma forte presença mediática, com 150 publicações totais, das quais 131 em earned media, alcançando 10,89 milhões de impressões totais e 4,69 milhões em earned media, com 93,5% de sentimento positivo e 0% negativo.
Para além do impacto inicial, a estratégia digital demonstrou capacidade de continuidade. A experiência NFC, como extensão direta da narrativa, registou 344 interações na primeira semana, com uma taxa inicial de ativação de cerca de 75% nas primeiras unidades entregues. Até 10 de março, foram registadas 2.143 interações, com uma taxa de interação de 61,3% e um rácio médio de 1,94 interações por utilizador. Cerca de 45% das peças ativadas foram revisitadas, evidenciando envolvimento continuado.
Esta progressão demonstra que o digital não se limitou a gerar tráfego ou conversão, mas prolongou a relação com o objeto, transformando cada camisola num ponto de acesso individual à história do clube.
O resultado foi uma estratégia digital com impacto em várias frentes: gerou procura imediata, amplificou alcance mediático, reforçou o valor simbólico da peça e criou um canal direto e contínuo entre o FC Porto e a sua comunidade. Mais do que comunicar uma homenagem, o digital transformou-a numa experiência progressiva de descoberta, pertença e continuidade.
Data de início de veiculação do trabalho
2026-05-19T04:58:30-04:00