O desafio era criar uma peça de homenagem a Jorge Nuno Pinto da Costa que não se esgotasse na dimensão física nem no gesto comemorativo. O FC Porto precisava de transformar uma edição limitada de camisolas num produto contemporâneo, capaz de unir objeto, serviço e experiência digital numa lógica de uso simples, direta e pessoal. Não bastava lançar uma camisola especial. Era necessário desenhar um sistema em que cada exemplar tivesse identidade própria, narrativa própria e uma extensão digital acessível no momento da posse. O produto teria de responder a duas exigências em simultâneo: ser um objeto colecionável, com forte valor emocional e cultural, e funcionar como ponto de entrada para uma relação continuada entre clube e adepto.
Este briefing colocava a tecnologia ao serviço do significado, não do efeito. A integração mobile não podia ser acessória nem ornamental. Tinha de nascer da própria lógica do produto. Cada camisola correspondia a um título conquistado durante os 42 anos de presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa; logo, fazia sentido que cada peça pudesse revelar digitalmente a história que continha. A experiência teria de ser intuitiva, sem fricção e sem necessidade de mediação, permitindo ao utilizador descobrir a singularidade da sua camisola com um simples toque de smartphone. O wearable deixava assim de ser apenas vestuário e passava a ser interface.
Havia ainda uma ambição estratégica mais ampla: abrir um novo canal direto entre o FC Porto e a sua comunidade. Ao incorporar tecnologia NFC numa peça de coleção, o clube passava a dispor de uma infraestrutura relacional inédita, capaz de prolongar a experiência para lá do momento da compra e de criar novas possibilidades de comunicação, ativação e valorização futura. O briefing, no fundo, não era apenas sobre uma camisola com tecnologia. Era sobre como transformar um objeto vestível num serviço vivo, evolutivo e emocionalmente relevante.
A resposta foi criar A Camisola do Presidente dos Presidentes como um produto híbrido: uma peça física de coleção ligada a uma experiência mobile individual através de tecnologia NFC. Cada uma das 2.594 camisolas foi concebida como exemplar único, correspondendo a um dos títulos conquistados pelo FC Porto durante a presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa. No plano físico, a camisola integra nas suas listas azuis clássicas uma composição microtipográfica com títulos, anos e modalidades, transformando a gramática visual do clube num arquivo vestível. No plano digital, cada peça contém uma etiqueta NFC que permite, com um simples toque de smartphone, aceder à história específica dessa camisola e descobrir o troféu que lhe está associado.
Esta solução transformou o wearable num ponto de acesso pessoal e imediato a conteúdo digital. A experiência foi desenhada para ser natural e direta: sem apps complexas, sem fricção, sem barreiras tecnológicas. O gesto de tocar com o telemóvel na etiqueta ativa uma relação one-to-one entre utilizador e objeto, revelando informação exclusiva sobre o exemplar em causa. Cada camisola deixa assim de ser apenas peça de vestuário ou memorabilia para passar a funcionar como token físico de acesso, prova de pertença e interface narrativa. Uma camisola. Um troféu. Um utilizador.
A componente digital acrescentou ainda uma camada de serviço ao produto. Para além de permitir identificar o título correspondente a cada camisola, a integração NFC abriu caminho a um ecossistema de continuidade entre clube e adepto. O produto passou a conter uma infraestrutura relacional: uma forma de ativar conteúdos, revisitar memória, promover interação e, potencialmente, suportar novas ativações exclusivas para proprietários da coleção. Assim, a inovação não esteve apenas no uso da tecnologia, mas na forma como essa tecnologia redefiniu o estatuto da peça. A camisola passou a ser simultaneamente wearable, arquivo, interface e canal.
A estratégia digital construiu um ecossistema contínuo, onde campanha, conteúdo e experiência trabalharam de forma integrada para prolongar o significado da peça no tempo.
O lançamento gerou um pico imediato de atenção e conversão, com as 2.594 camisolas a esgotarem em cerca de duas horas, 92% das vendas concentradas nesse período e €199.605 gerados na primeira hora. Este arranque foi amplificado por uma forte presença mediática, com 150 publicações totais, das quais 131 em earned media, alcançando 10,89 milhões de impressões totais e 4,69 milhões em earned media, com 93,5% de sentimento positivo e 0% negativo.
Para além do impacto inicial, a estratégia digital demonstrou capacidade de continuidade. A experiência NFC, como extensão direta da narrativa, registou 344 interações na primeira semana, com uma taxa inicial de ativação de cerca de 75% nas primeiras unidades entregues. Até 10 de março, foram registadas 2.143 interações, com uma taxa de interação de 61,3% e um rácio médio de 1,94 interações por utilizador. Cerca de 45% das peças ativadas foram revisitadas, evidenciando envolvimento continuado.
Esta progressão demonstra que o digital não se limitou a gerar tráfego ou conversão, mas prolongou a relação com o objeto, transformando cada camisola num ponto de acesso individual à história do clube.
O resultado foi uma estratégia digital com impacto em várias frentes: gerou procura imediata, amplificou alcance mediático, reforçou o valor simbólico da peça e criou um canal direto e contínuo entre o FC Porto e a sua comunidade. Mais do que comunicar uma homenagem, o digital transformou-a numa experiência progressiva de descoberta, pertença e continuidade.
Data de início de veiculação do trabalho
2026-05-19T04:57:57-04:00