A Camisola do Presidente dos Presidentes
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Fotografia

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FC Porto

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This is Pacifica / Porto

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A Camisola do Presidente dos Presidentes
Fotografia

Briefing

No primeiro aniversário da morte de Jorge Nuno Pinto da Costa, o FC Porto quis assinalar a data com uma homenagem à altura da sua dimensão histórica, emocional e simbólica. O desafio não era apenas lançar uma camisola comemorativa, mas construir uma peça capaz de transformar 42 anos de presidência e 2.594 títulos numa presença visual viva. A fotografia tinha, por isso, de ir além do registo de produto ou da linguagem habitual do sportswear. Precisava de dar corpo a uma ideia maior: a de uma camisola que não fosse apenas objeto, mas arquivo emocional, símbolo de pertença e tributo coletivo. O briefing colocava a imagem num território raro, entre editorial, memória e identidade. A própria ideia da camisola exigia esse desvio. As tradicionais listas azuis do FC Porto foram transformadas em microtipografia com os 2.594 títulos conquistados durante a presidência de Pinto da Costa, convertendo design em narrativa e superfície em memória. A fotografia tinha, por isso, de ser capaz de mostrar simultaneamente duas escalas: a força icónica da camisola enquanto forma reconhecível do clube e a delicadeza íntima de um objeto que, de perto, se revela como texto, detalhe e história. O briefing para o editorial apontava claramente para uma construção visual feita de encontro, transcendência, espiritualidade e tributo, procurando “dar forma ao que não é visível, mas que nos liga” e trabalhar a saudade, a fé e a comunhão como matérias visuais. A sessão tinha ainda de evitar dois riscos evidentes: cair numa nostalgia ilustrativa ou numa estética publicitária demasiado funcional. Era importante que a imagem mantivesse contemporaneidade e sofisticação, mas sem perder a densidade simbólica do contexto. Em vez de vender uma camisola, a fotografia devia ajudar a instituí-la como objeto cultural. Em vez de dramatizar o luto, devia criar espaço para o sentir. O desafio era, assim, profundamente fotográfico: encontrar uma linguagem capaz de revelar uma peça de desporto como se fosse uma relíquia contemporânea — algo que se veste, mas também se herda; algo que se mostra, mas também se respeita.

Descrição

A peça materializou-se num editorial fotográfico de autor que tratou a camisola não como sportswear, mas como presença simbólica. Em vez de recorrer aos códigos mais previsíveis da fotografia desportiva — ação, estádio, celebração, performance — a sessão construiu-se num registo mais contido, sensorial e cerimonial. Com várias localizações, três modelos e uma encenação assente na proximidade entre corpos, gestos e silêncio, as imagens procuraram inscrever a camisola num campo emocional de comunhão e transcendência. A narrativa visual foi pensada para sugerir ligação entre gerações, continuidade e pertença, mais do que para ilustrar literalmente a história do clube. A força da peça está na forma como trabalha a tensão entre presença física e dimensão imaterial. A camisola aparece como objeto concreto, táctil, carregado de detalhe, mas também como veículo de uma herança maior do que quem a veste. As imagens deixam respirar o azul, a textura, a tipografia e o corpo, recusando ruído visual e excesso narrativo. Há uma contenção deliberada na composição, na luz e na atitude dos modelos, que afasta a peça do território comercial e a aproxima de um léxico quase devocional. A camisola é mostrada como quem mostra uma relíquia: com proximidade, cuidado e reverência. Isso permitiu amplificar o conceito central do projeto — “A História escreve-se a Azul” — sem o sublinhar em excesso. Ao mesmo tempo, o editorial soube preservar legibilidade e força visual. A microtipografia que compõe as listas azuis da camisola exige uma fotografia capaz de funcionar à distância e ao detalhe, como a própria peça. A sessão explora precisamente essa dupla leitura: planos em que a camisola se impõe como ícone e aproximações em que o objeto se revela como narrativa escrita. Mais do que um conjunto de imagens de apoio à campanha, esta peça construiu um imaginário visual autónomo, onde a camisola se fixa como objeto de memória, desejo e culto. Não documenta apenas uma homenagem; ajuda a torná-la visível e duradoura.

Resultado

Os resultados da peça devem ser lidos tanto no plano da eficácia da campanha como no da elevação simbólica do objeto fotografado. A campanha teve uma resposta imediata, com as 2.594 camisolas a esgotarem em cerca de duas horas, 92% das vendas concentradas nesse período e €199.605 gerados na primeira hora. Ao nível mediático, gerou 150 publicações totais, das quais 131 em earned media, alcançando 10,89 milhões de impressões totais e 4,69 milhões em earned media, com 93,5% de sentimento positivo e ausência de cobertura negativa. Houve ainda vendas para mais de 16 países, confirmando a capacidade do projeto em ultrapassar o contexto local. Estes resultados refletem não apenas a força do conceito, mas também a forma como a peça foi apresentada e legitimada visualmente. No contexto específico desta categoria, o impacto mais relevante está no reposicionamento da camisola no território da fotografia editorial e cultural. A sessão afastou o objeto dos códigos do merchandising desportivo e aproximou-o de um artefacto colecionável, memorável e emocionalmente denso. A fotografia não se limitou a mostrar a peça; construiu o seu estatuto. Ao trabalhar a camisola como presença, rito e símbolo, o editorial conferiu-lhe uma dimensão de permanência que ultrapassa a função promocional. Esta abordagem contribuiu para que o projeto fosse percecionado como um gesto cultural, e não apenas como um lançamento de produto. A receção mediática amplamente positiva reforça essa leitura. A ausência de sentimento negativo e a forte adesão pública indicam que o projeto foi entendido como uma homenagem autêntica e respeitosa. A fotografia teve um papel central nesse equilíbrio, ao criar imagens que prolongam a contemplação e fixam a camisola no imaginário coletivo. Mais do que acompanhar o lançamento, a fotografia ajudou a transformar a peça numa imagem duradoura de legado, não apenas uma camisola esgotada, mas uma forma de memória coletiva do FC Porto.

Data de início de veiculação do trabalho

2026-05-19T04:57:04-04:00
Production Company
78 Films / Lisboa
R&D
Bernardo Lago Cruz
Intelligence e Análise Mediática
Carma / Lisboa
Designer
Carolina Peres, Daniel Sousa
Executive Creative Director
Filipe Mesquita, Pedro Lima
Artes Gráficas e Embalagens
Forward Consulting / Porto
Fotógrafo de Moda
Frederico Martins
Account Director
Joana Babo
Film Director
José Pando Lucas, Vladimiro Leopoldo
Fotografia e Video
Lalaland / Porto
Photographer
Nuno Moreira
Copywriter
Pedro Lima
Creative Director
Pedro Mesquita, Pedro Serrao
Confecção têxtil
Pocargil / Braga
Music / Sound Production Company
Salva Studios / Lisboa
Agency
This is Pacifica / Porto
NFC Technology
ZATAP / Winterthur

Responsável

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A Camisola do Presidente dos Presidentes

Campo de Santa Clara

Mercado de Santa Clara 1º piso

1100-472 Lisboa

Tel. +351 913 192 292

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