No primeiro aniversário da morte de Jorge Nuno Pinto da Costa, o desafio não passava por criar uma simples peça comemorativa, mas por encontrar uma forma de traduzir a dimensão do seu legado num objeto com verdadeira densidade simbólica. O briefing pedia uma homenagem à altura do Presidente dos Presidentes: uma peça capaz de eternizar 42 anos de presidência e 2.594 títulos conquistados pelo FC Porto, não como memória passiva, mas como cultura viva.
A estratégia de design partiu de uma ideia central: a homenagem não devia ser aplicada sobre a camisola, devia ser a própria camisola. Em vez de recorrer a uma linguagem decorativa ou celebratória convencional, o projeto transformou o principal código visual do clube — as suas icónicas listas azuis — no próprio suporte da narrativa. As listas passam a ser compostas por colunas de texto que inscrevem os 2.594 títulos conquistados ao longo de 42 anos, convertendo a camisola num arquivo visual e emocional da era de Jorge Nuno Pinto da Costa.
Esta decisão ganha ainda mais força por responder à célebre ideia defendida pelo próprio Pinto da Costa de que, mais do que presidente, era adepto. O tributo assume assim a forma mais próxima, mais popular e mais identitária possível: uma camisola. Não um objeto institucional ou protocolar, mas o símbolo maior de pertença ao clube. O design materializa essa visão ao devolver a história do presidente ao corpo do adepto, transformando memória em identidade vestível.
A estratégia de design demonstrou impacto direto na perceção, procura e valor da peça, validando a abordagem de transformar uma camisola num objeto cultural e não apenas num produto desportivo.
As 2.594 unidades esgotaram em cerca de duas horas, com 92% das vendas concentradas nesse período e €199.605 gerados na primeira hora. A velocidade e concentração da procura confirmam a eficácia do posicionamento: uma peça concebida como edição limitada, numerada e carregada de significado, capaz de gerar desejo imediato sem recurso a códigos promocionais tradicionais.
O valor percebido foi igualmente reforçado no mercado secundário. Com um preço de venda de 200€, a camisola atingiu valores até 1.200€, traduzindo uma valorização de cerca de 500%. Este comportamento evidencia a sua leitura como objeto de coleção e não como merchandising, resultado direto de uma estratégia de design centrada em escassez, narrativa e autenticidade.
A ausência de qualquer marca desportiva global reforçou a autonomia do projeto e contribuiu para a sua diferenciação. Produzida integralmente em Portugal e desenvolvida com 96% de poliéster reciclado, a peça afirmou-se como um objeto de valor com base em identidade local, sustentabilidade e craft.
O impacto estendeu-se também à dimensão institucional, com €518.000 revertidos para a Fundação FC Porto, demonstrando a capacidade do design em gerar valor económico com impacto social.
Ao nível mediático, a campanha gerou 150 publicações totais, das quais 131 em earned media, resultando em 10,89 milhões de impressões totais e 4,69 milhões em earned media. O sentimento foi maioritariamente positivo (93,5%), sem registo de menções negativas, evidenciando forte aceitação cultural.
Na dimensão de utilização, a integração de NFC revelou uma adesão significativa, com 2.143 interações registadas até 10 de março, uma taxa de interação de 61,3% e um rácio de repetição de 1,94x. Estes dados demonstram que o design se prolongou para além do objeto físico, criando uma relação contínua com os utilizadores.
No conjunto, os resultados provam que o design, quando pensado como sistema integrado entre produto, narrativa e experiência, pode gerar procura imediata, valor sustentado e relevância cultural duradoura.