Celebrar um legado sem precedentes: 42 anos de presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa e 2.594 títulos conquistados em 21 modalidades. O desafio não era criar mais uma camisola comemorativa, mas transformar dados históricos normalmente invisíveis num objeto cultural com valor simbólico, material e colecionável.
Num contexto saturado por lançamentos de equipamentos desportivos dominados por grandes marcas globais, o projeto tinha de afirmar uma posição oposta: sair da lógica de produto de massa e entrar no território do design como meio de preservação de memória e construção de significado.
A ambição foi dupla. Por um lado, condensar as quatro décadas de conquistas num gesto visual simples e reconhecível. Por outro, redefinir o papel de uma camisola de futebol de merchandising funcional para artefacto editorial, com um cunho museológico.
O briefing exigia ainda a integração de múltiplas camadas: identidade gráfica, produto físico, narrativa histórica e dimensão digital. Tudo desenvolvido localmente, reforçando a ideia de autenticidade e pertença.
Mais do que representar o passado, a peça deveria ativá-lo no presente criando uma ligação emocional entre clube e adepto, onde cada detalhe tivesse intenção, memória e função.
A camisola transforma um arquivo invisível de 2.594 títulos na sua própria matéria gráfica. Cada conquista é inscrita tipograficamente, formando as duas riscas azuis icónicas do clube. À distância, reconhece-se o símbolo. De perto, descobre-se a história.
Este sistema tipográfico funciona em múltiplas escalas: legível ao detalhe, mas também como textura identitária contínua. Um equilíbrio entre informação e forma, onde o conteúdo constrói o próprio código visual.
Cada peça é numerada (1/2594 a 2594/2594), reforçando a lógica de coleção e singularidade. O número 42 nas costas correspondente aos anos de presidência e é reconstruído a partir de um documento manuscrito do próprio presidente, transformado num bordado tridimensional que preserva o gesto original.
A camisola é acompanhada por um packaging concebido como ritual de descoberta. A atribuição do título específico é desconhecida até à abertura e ativação do NFC, criando uma experiência de revelação individual.
A dimensão digital expande o objeto físico: cada camisola dá acesso a um conteúdo único associado ao título inscrito, transformando um artefacto estático num sistema vivo, atualizável e relacional.
Sem associação a marcas globais de sportswear, o projeto afirma-se como um objeto autónomo produzido integralmente em Portugal onde design, história e tecnologia coexistem num único gesto.
Os resultados demonstram que este projeto não foi apenas uma camisola comemorativa, mas uma inovação em design com impacto real no negócio, na cultura e na relação com os adeptos. As 2.594 unidades esgotaram em cerca de duas horas, com 92% das vendas concentradas nesse período e €199.605 gerados na primeira hora. No total, foram angariados €518.000 para a Fundação FC Porto. No mercado secundário, a camisola atingiu valores até 1.200 euros, correspondendo a uma valorização de cerca de 500%, afirmando-se como objeto de coleção e não como merchandising tradicional.
A relevância do projeto estendeu-se para lá da venda. Sem investimento em media pago, gerou 150 publicações, das quais 131 em earned media, alcançando 10,89 milhões de impressões totais e 4,69 milhões em earned media, com 93,5% de sentimento positivo e ausência de cobertura negativa. A peça entrou na conversa nacional e internacional como um caso singular de design aplicado ao universo do futebol, demonstrando a capacidade de um gesto gráfico simples condensar uma narrativa histórica de grande escala.
A dimensão digital reforçou esta inovação ao transformar cada exemplar num ponto de contacto ativo. Até 10 de março, foram registadas 2.143 interações NFC, com uma taxa de interação de 61,3% e um rácio médio de 1,94 interações por utilizador. Cerca de 45% das peças ativadas registaram mais do que uma interação, evidenciando continuidade de uso para além do momento de compra.
No conjunto, os resultados mostram que a inovação não esteve apenas na estética da camisola, mas na redefinição do próprio objeto. A peça passou a funcionar simultaneamente como vestuário, arquivo, homenagem, objeto de coleção e interface digital. Mais do que desenhar uma camisola, o projeto redesenhou aquilo que uma camisola pode ser.
Data de início de veiculação do trabalho
2026-05-19T04:55:03-04:00